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Agulha em Palheiro

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Romance3 h 50 de leitura199 páginas

O começo

« Que anuncia em queixumes (( De Ajax a dor, num ai tinto em seu seio! (( Do Sado as Nymphas, ninfas do áureo Tejo « E as indicas Nereas a Com lagrimas a campa lhe humedeçam !

Francisco Lourenço recitava com lagrimoso entusiasmo estes versos, e como tema os tomava para maldizer a nação e o governo que deixavam morrer de fome de pão e da pátria o autor de tão doridos queixumes, o exilado Filinto Elysio. E disso riam os casquilhos, os miseráveis cujo nome ninguém sabe, e cujos netos a gente não conhece, quando os topa aí por esse Chiado e Rocio, cascalhando, como seus avós, umas risadas alvares, único sintoma de vida intelectual que dispensam nesta sua passagem sobre o globo, que é (Telles e das moscas.

O pai de Francisco Lourenço afez-se a ouvir o filho falar de poetas, e achava-lhe razão. Ouvia-o queixar-se da nenhuma educação literária que tivera, e sentia sinceramente não ter aproveitado as tendências de Francisco. Dizia ele:

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