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Mal por Mal...

Artur de Azevedo

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O começo

Há bons maridos que se tornam maus porque as mulheres não são boas.

O Sebastião está ou esteve nesse caso: tão apoquentado se viu pela cara-metade, que um belo dia resolveu procurar na rua os carinhos que não encontrava no lar doméstico.

Não foi preciso procurar muito. O acaso fê-lo encontrar na Avenida Central, diante de um cinematógrafo-anúncio, uma bela morena que lhe deu volta ao miolo e lhe tirou noites de sono.

Se D. Flaviana, a mulher di Sebastião, fosse meiga e condescendente, e não tivesse tão mau gênio, está visto que ele não se deixaria prender nos braços de outra; mas deixou-se prender - e preso ficou ao ponto de arranjar uma casinha lá para os lados da Cidade Nova, onde esconderam - a morena e ele - o seu delicioso pecado.

E tão bem escondidínho estava que ninguém sabia de nada, exceção feita de Sepúlveda, o melhor amigo de Sebastião.

E o Sepúlveda não podia ser mais obsequioso. Como percebeu que a felicidade do amigo estava naquele derivativo, ele próprio se encarregou de alugar a casinha e mobiliá-la. A sua obsequiosidade foi ao ponto de arranjar para a porta da rua uma fechadura que se abria com a mesma chave da fechadura conjugal. De modo que o Sebastião não tinha necessidade de andar com duas chaves, o que seria perigoso.

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