A Conselho do Marido
O começo
Estamos a bordo de um grande paquete da Messagéries Maritimes, em pleno Atlântico, entre os dois hemisférios. Dois passageiros, que embarcaram no Rio de Janeiro, um de quarenta e outro de vinte e cinco anos, conversam animadamente, sentados ambos nas suas cadeiras de bordo.
— Pois é como lhe digo, meu amiguinho! — dizia o passageiro de quarenta anos — o homem, todas as vezes que é provocado pela mulher, seja a mulher quem for, deve mostrar que é homem! Do contrário, arrisca-se a uma vingança! O caso da mulher de Putifar reproduz-se todos os dias!
— E se o marido for nosso amigo?
— Se o marido for nosso amigo, maior perigo corremos fazendo como José do Egito.
— O que você está dizendo é simplesmente horrível!
— Talvez, mas o que é preferível: ser amante da mulher de um amigo sem que este o saiba, ou passar aos olhos dele por amante dela sem o ser, em risco de pagar com a vida um crime que não praticou?
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