A 'Réclame'
O começo — I
Era um domingo. O comendador Viana acabou de almoçar, sentou numa cadeira de balanço, cruzou as mãos sobre o ventre, atirou olhar pela janela escancarada que enchia de ar e luz a sala de jantar, e no jardim vizinho, um homem a escrever, sentado à sombra de caramanchão.
— Ó menina, dá cá o binóculo.
Laura, a esposa do comendador Viana, trouxe-lhe o binóculo, ele assestou contra o homem do caramanchão.
— Não me enganava: é ele… É o tal Passos Nogueira!…
— Que Passos Nogueira? - perguntou Laura.
O comendador não respondeu; voltou-se para a criada, que leva a mesa, e interpelou-a:
— Aquele sujeito mora ali há muito tempo? Você deve saber…
— Que sujeito?
— Aquele que está escrevendo acolá, no jardim da casa de pensão não vê?
— Ah! O poeta?
— Quem lhe disse a você que ele é poeta?
— É como o ouço tratar na vizinhança. Já ali morava quando viemos para esta casa.
— Entretanto - observou Laura - estamos aqui há oito meses e é a primeira vez que o vejo.
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