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A 'Réclame'

Artur de Azevedo

Contos6 min de leitura5 páginas

O começo — I

Era um domingo. O comendador Viana acabou de almoçar, sentou numa cadeira de balanço, cruzou as mãos sobre o ventre, atirou olhar pela janela escancarada que enchia de ar e luz a sala de jantar, e no jardim vizinho, um homem a escrever, sentado à sombra de caramanchão.

— Ó menina, dá cá o binóculo.

Laura, a esposa do comendador Viana, trouxe-lhe o binóculo, ele assestou contra o homem do caramanchão.

— Não me enganava: é ele… É o tal Passos Nogueira!…

— Que Passos Nogueira? - perguntou Laura.

O comendador não respondeu; voltou-se para a criada, que leva a mesa, e interpelou-a:

— Aquele sujeito mora ali há muito tempo? Você deve saber…

— Que sujeito?

— Aquele que está escrevendo acolá, no jardim da casa de pensão não vê?

— Ah! O poeta?

— Quem lhe disse a você que ele é poeta?

— É como o ouço tratar na vizinhança. Já ali morava quando viemos para esta casa.

— Entretanto - observou Laura - estamos aqui há oito meses e é a primeira vez que o vejo.

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