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Maldita Parentela

França Júnior (?–1890)

Teatro28 min de leitura25 páginas

O começo — Cena I

Damião (Entrando por uma das portas da esquerda, a Raimunda, que entra pela direita) – Onde está Marianinha? (Com alegria) As salas regorgitam de gente e neste momento acaba de entrar a família do Comendador Pestana.

Raimunda – Marianinha está no toalete com as filhas do Conselheiro Neves.

Damião – Que reunião luzida! São apenas nove horas e já tenho em casa dois desembargadores, três deputados, um conselheiro, um tenente-coronel…

Raimunda – O pior é que chove a cântaros.

Damião – Tanto melhor. Haverá à porta maior número de carros e o nosso baile, durante uma semana pelo menos, será o assunto das conversações na vizinhança.

Raimunda – Você só pensa nos seus comendadores e barões e não se lembra do mano Basílio e das meninas da Prainha. Sabe Deus como elas virão por aí, coitadinhas, metidas num bonde, todas enlameadas e correndo o risco de uma constipação.

Damião – Se é por esse motivo que a chuva a incomoda, então fique sabendo desde já que eu não duvidaria dar às almas o dobro do que gastei esta noite para ver desabar sobre a cidade um tremendo temporal, dez vezes maior que o de dez de outubro.

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