Dois Proveitos em um Saco
França Júnior (?–1890)
O começo — CENA I
AMÉLIA (Mirando-se em um espelho.) - Como achas este vestido?
CATARINA - Vai-lhe às mil maravilhas, minha ama.
AMÉLIA - Lisonjeira.
CATARINA - Somente tenho que fazer-lhe uma observação. Permite-me?
AMÉLIA - Fala.
CATARINA - Parece-me que se a cauda fosse mais pequena…
AMÉLIA - Tola, tu não sabes o que é o chique.
CATARINA - Pois olhe, não é isto o que diz o seu Antonico Mamede.
AMÉLIA - E quem é este Senhor Antonico?
CATARINA - Seu Antonico Mamede é um moço louro, que costuma ir todos os sábados ao baile alemão. Aquilo é que é rapaz de truz Se minha ama visse com que graça e elegância ele dança a polca!…
AMÉLIA - Oh! atrevida! Tu queres fazer-me confidências amorosas?
CATARINA - Minha ama não namorou também ao Senhor Teixeira antes de se casar com ele? Ainda me lembro quando aqui chegaram em novembro do ano passado, para passarem a lua de mel. Vinham tão agarradinhos que dir-se-ía um casal de pombos batedores. E como estava este chalé! Era um brinco!
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