O Tipo Brasileiro
França Júnior (?–1890)
O começo — CENA I
Alta noite, tudo dorme, / Tudo é silêncio na terra, / Nem sequer nos ares erra…
Henrique (Entrando.) – Bravo! Bravo! Muito bem!
Henriqueta (Levantando-se.) – Quem é?!
Henrique – Não te assustes, sou eu. Teu pai não está em casa?
Henriqueta – Saiu, mas não deve tardar. O que vieste aqui fazer?
Henrique – O que vim aqui fazer? É que te amo, Henriqueta.
Henriqueta – Mas não vês, Henrique, que esse amor é impossível.
Henrique – Não repitas esta palavra.
Henriqueta – Conheces a mania de meu pai e sabes perfeitamente que desde o dia em que esse inglês…
Henrique (Com raiva) – Esse inglês…Quando penso naquele maldito beef, sinto ímpetos de empunhar um facão e reduzi-lo a roupa velha. Olha, Henriqueta, está me parecendo que os nossos amores vão ter um fim muito trágico.
Henriqueta – Tu me assustas.
Henrique – É o que te digo. Provoco o bretão, há uma grande água suja, sobrevêm complicações internacionais e eis aí armada uma nova questão anglo-brasileira.
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