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O Defeito de Família

França Júnior (?–1890)

Teatro25 min de leitura22 páginas

O começo — CENA I

Gertrudes (Examinando a sala) - Como está esta sala! É um brinco! Não há nada como o serviço de um criado estrangeiro.

Josefina (Sentada ao lado da mesa, lendo o Jornal das Famílias.) - Na realidade, papai não podia acertar melhor.

Gertrudes - E que moralidade, minha filha! Ontem ficou mais vermelho do que fogo de forja, porque entrando casualmente em nosso quarto…Não me lembrava que és uma criança e que não podes saber essas coisas.

Josefina (Com curiosidade) - O que foi, mamãe?

Gertrudes - Uma indiscrição de teu pai. O que estás vendo aí?

Josefina - O último figurino do Jornal das Famílias. Não acha que este molde de corpinho ia-me às mil maravilhas? (Mostrando o jornal)

Gertrudes - Vaidosa!

Josefina - O Senhor Artur diz-me constantemente que quem não se enfeita, a si se enjeita. É preciso, portanto, que eu faça de minha parte todo o possível por agradá-lo.

Gertrudes - Minha filha, uma menina não deve cativar aquele a quem ama por essas fofas exterioridades que morrem com a lua de mel, mas sim pelos dotes do coração e do espírito.

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