Amor com Amor se Paga
França Júnior (?–1890)
O começo — CENA I
Arranjaste tudo quanto te encomendei?
Vicente ( Limpando os trastes. )
Tudo, Nhonhô. Vosmecê já sabe para quanto presta este mulatinho. Cá ao degas não é preciso repetir as coisas. Se vosmecê bem o disse, melhor o fiz. Olhe:
uma empada, dois pratos de croquetes, uma galinha de molho
pardo…
EDUARDO
Podes limpar a mão à parede com o tal molho pardo Alugo este aposento para receber uma mulher que é a encarnação da elegância e do chique. Encomendo-te uma ceia esquisita e procuras matar a poesia de uma segunda entrevista amorosa, apresentado-nos à mesa um prato, que traz em seu seio os gérmens de uma indigestão. Tens às vezes certas lembranças… Decididamente acabo por te dar baixa deste serviço. Aposto que esqueceste o vaso de flores.
VICENTE
O vaso de flores?
EDUARDO
Está visto, és um estonteado.
VICENTE
Dou as mãos à palmatória, Nhonhô; mas em compensação preparei uma surpresa, que há de pôr a mocinha
( Imitando. ) assim… de beiço caído.
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