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Piedade Filial

Artur de Azevedo

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O começo

O Brochado veio rapazito para o Rio de Janeiro e saltou aqui com o pé direito, porque arranjou logo emprego, e dois anos depois estava primeiro caixeiro, com magnífico ordenado e caderneta na Caixa Econômica.

Considerava-se feliz; só uma coisa o afligia: as saudades do pai, que deixara na aldeia.

Um dia em que, passando por uma loja da Rua do Ouvidor, viu exposto um retrato a óleo, lembrou-se de mandar pintar o do velho, a fim de pendurá-lo defronte da cama. Não podendo ter perto de si a pessoa, teria ao menos a imagem de seu pai!

O Brochado informou-se da residência do pintor e foi ter com ele.

— Vinha pedir-lhe que me pintasse o retrato de meu pai.

— Com todo o gosto.

— Mas não queria coisa que me custasse mais de trezentos mil-réis. ~ quanto posso pagar.

— Está dito! Esse não é o meu preço, é muito barato; mas como o senhor não pode pagar mais, paciência! Onde está o senhor seu pai?

— Em Portugal.

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