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O Carrasco de Victor Hugo José Alves

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Romance3 h de leitura161 páginas

O começo — I A LUVEIRA DA RUA NOVA DA PALMA

Il y a ici quelque chose… une fleur… cherchez!

SAINT-BEUVE, Portraits des Femmes.

À volta de uma mesa do café Martinho , em Lisboa, estavam, por 1857, cinco ou seis sujeitos saturados de politica. Estava também eu em principio de saturação —palavra pedida de empréstimo à química para bem materializar a ideia do corpo abeberado daquele cívico entusiasmo que salva as nações… nos botequins.

Naquela noite, os meus interlocutores eram todos mais ou menos republicanos. Havia tal que dizia acreditar na metempsicose, porque sentia dentro do seu ventre os fígados de Robespierre; e outro, que arredondava musicamente os períodos corrosivos, revelava-nos, com modéstia parelha do talento, que sentia coriscar-lhe no crânio o cérebro de Mirabeau;—coriscos, se o eram, todos para dentro; que do fogo, que lhe faiscava da fronte, não havia que recear combustão em armazém de sulphureto de carbonio.

Os outros não me lembra quem tinham dentro de suas pessoas.

Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.

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