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O Liberato

Artur de Azevedo

Teatro22 min de leitura19 páginas

O começo — Cena I

Rosinha, debruçada a uma das janelas; Dona Perpétua, entrando da esquerda, primeiro plano; logo depois Gonçalo, da direita, segundo plano.

Dona Perpétua (Entrando de muito mau humor, com um vergalho na mão.) - Ora valha-me Deus! Não me faltava mais nada!…

Rosinha e Gonçalo (Descendo ao proscênio.) - O que foi?

Dona Perpétua - O diabo do negro - Deus me perdoe! - agora é que se lembrou de cair doente! Como até estas horas não saía do quarto, fui buscá-lo preparada com este vergalho, e encontrei-o ardendo em febre. Desavergonhado!

Gonçalo (Timidamente.) - O Liberato?

Dona Perpétua - O Liberato, sim senhor Pois quem havia de ser? É surdo? Que inferno! Esta só a mim acontece!

Rosinha - É coisa de cuidado?

Dona Perpétua - Um negro nunca tem coisa de cuidado! E este diabo, se não fosse valer uns oitocentos mil réis…

Gonçalo - Vou chamar o médico?

Dona Perpétua - Vá, homem de Deus, vá! Mexa-se, com Todos os demônios! Parece estar a dormir!

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