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A Joia

Artur de Azevedo

Teatro47 min de leitura42 páginas

O começo — I

Sala de visitas em casa de Valentina. Duas portas de cada lado e duas janelas de sacada ao fundo. À esquerda do espectador, sofá; ao lado deste, poltrona. À direita, escrivaninha, com preparos para escrever. Cadeiras, consolos com porta-jóias, estatuetas, quinquilharias, etc. Nos intervalos das portas, gravuras ricamente emolduradas. Reposteiros de lã em todas as portas e cortinas de rendas às janelas. Piano. Tapete. Lustre de gás. É dia.

Valentina, Um Sujeito

(Valentina está sentada na poltrona, de penteador branco. O Sujeito de pé, pronto para sair, de chapéu na cabeça, tem uma das mãos entre as dela.)

Valentina - Adeus. De mim não se esqueça

Nem do número da porta.

O Sujeito - Não.

Valentina - Se, de saudades morta

Me não quer ver, apareça.

O Sujeito (Aborrecido.) - Adeus.

Valentina - Adeus. (Ele vai saindo.) Até quando?

O Sujeito (Parando.) - Prometo voltar bem cedo.

Valentina - Não minta.

O Sujeito - Não tenhas medo!

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