O Mambembe
O começo — I
Sala de um plano só em casa de dona Rita. Ao fundo, duas janelas pintadas. Porta à esquerda dando para a rua, e porta à direita dando para interior da casa.
MALAQUIAS, moleque, depois EDUARDO
(Ao levantar o pano, a cena está vazia. Batem à porta da esquerda.)
MALAQUIAS (Entrando da direita.) — Quem será tão cedo? Ainda não deu oito horas! ( Vai abrir a porta da esquerda.) Ah! é seu Eduardo!
EDUARDO (Entrando pela esquerda.) —Adeus, Malaquias. Quedê dona Rita? Já está levantada?
MALAQUIAS — Tá lá dentro, sim, sinhô.
EDUARDO — E dona Laudelina?
MALAQUIAS — Inda tá drumindo, sim, sínhô.
EDUARDO — Vai dizer a dona Rita que eu quero falar com ela.
MALAQUIAS — Sim, sinhô. (Puxando conversa.) Seu Eduardo onte tava bom memo!
EDUARDO — Tu assististe ao espetáculo?
MALAQUIAS — Ora, eu não falho! Siá dona Rita não me leva, mas eu fujo e vou. Fico no fundo espiando só!
EDUARDO — Gostas do teatro, hein?
MALAQUIAS — Quem é que não gosta do que é bão? Que coisa bonita quando seu Eduardo fingia que morreu quase no fim! Xi! Parecia que tava morrendo memo. Só se via o branco do olho! E dona Laudelina ajoelhada, abraçando seu Eduardo! Seu Eduardo tava morrendo, mas tava gostando, não é, seu Eduardo?
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