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O Mambembe

Artur de Azevedo

Teatro2 h de leitura106 páginas

O começo — I

Sala de um plano só em casa de dona Rita. Ao fundo, duas janelas pintadas. Porta à esquerda dando para a rua, e porta à direita dando para interior da casa.

MALAQUIAS, moleque, depois EDUARDO

(Ao levantar o pano, a cena está vazia. Batem à porta da esquerda.)

MALAQUIAS (Entrando da direita.) — Quem será tão cedo? Ainda não deu oito horas! ( Vai abrir a porta da esquerda.) Ah! é seu Eduardo!

EDUARDO (Entrando pela esquerda.) —Adeus, Malaquias. Quedê dona Rita? Já está levantada?

MALAQUIAS — Tá lá dentro, sim, sinhô.

EDUARDO — E dona Laudelina?

MALAQUIAS — Inda tá drumindo, sim, sínhô.

EDUARDO — Vai dizer a dona Rita que eu quero falar com ela.

MALAQUIAS — Sim, sinhô. (Puxando conversa.) Seu Eduardo onte tava bom memo!

EDUARDO — Tu assististe ao espetáculo?

MALAQUIAS — Ora, eu não falho! Siá dona Rita não me leva, mas eu fujo e vou. Fico no fundo espiando só!

EDUARDO — Gostas do teatro, hein?

MALAQUIAS — Quem é que não gosta do que é bão? Que coisa bonita quando seu Eduardo fingia que morreu quase no fim! Xi! Parecia que tava morrendo memo. Só se via o branco do olho! E dona Laudelina ajoelhada, abraçando seu Eduardo! Seu Eduardo tava morrendo, mas tava gostando, não é, seu Eduardo?

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