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Questão de Honra

Artur de Azevedo

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O começo

Eram sete horas da manhã. Braga Lopes, sentado numa deliciosa chaise-longue , brunia as unhas e contemplava, pela janela do gabinete, o Pão de Açúcar, que por um belo efeito de luz parecia de madrepérola.

Angélica entrou no gabinete e bateu de leve no ombro do marido.

— Preciso de quinhentos mil-réis.

— Já?

— Já.

Por única resposta, Braga Lopes apontou para uma carta aberta sobre a secretária de pau-rosa.

Angélica leu: o senhorio reclamava, em termos violentos, não sei quantos meses atrasados do aluguel do prédio nobre.

A moça encolheu os ombros, saiu arrebatadamente e mandou atrelar.

Fez ligeira, mas elegante toilette de passeio e, calçando as luvas de pele da Suécia, recomendou ao engravatado copeiro que não a esperasse para almoçar.

O marido ouviu rodar o coupé e chegou à janela. Acompanhou com a vista o trajeto do carro em quase toda a curva da praia de Botafogo, até que o viu desaparecer na rua Marquês de Abrantes.

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