Questão de Honra
O começo
Eram sete horas da manhã. Braga Lopes, sentado numa deliciosa chaise-longue , brunia as unhas e contemplava, pela janela do gabinete, o Pão de Açúcar, que por um belo efeito de luz parecia de madrepérola.
Angélica entrou no gabinete e bateu de leve no ombro do marido.
— Preciso de quinhentos mil-réis.
— Já?
— Já.
Por única resposta, Braga Lopes apontou para uma carta aberta sobre a secretária de pau-rosa.
Angélica leu: o senhorio reclamava, em termos violentos, não sei quantos meses atrasados do aluguel do prédio nobre.
A moça encolheu os ombros, saiu arrebatadamente e mandou atrelar.
Fez ligeira, mas elegante toilette de passeio e, calçando as luvas de pele da Suécia, recomendou ao engravatado copeiro que não a esperasse para almoçar.
O marido ouviu rodar o coupé e chegou à janela. Acompanhou com a vista o trajeto do carro em quase toda a curva da praia de Botafogo, até que o viu desaparecer na rua Marquês de Abrantes.
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