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Um Capricho

Artur de Azevedo

História5 min de leitura5 páginas

O começo

Em Mar de Espanha havia um velho fazendeiro, viúvo que tinha uma filha muito tola, muito mal-educada, e, sobretudo. muito caprichosa. Chamava-se Zulmira.

Um bom rapaz, que era empregado no comércio da localidade, achava-a bonita, e como estivesse apaixonado por ela, não lhe descobria o menor defeito.

Perguntou-lhe uma vez se consentia que ele fosse pedi-la ao pai.

A moça exigiu dois dias para refletir.

Vencido o prazo, respondeu:

— Consinto, sob uma pequena condição.

— Qual?

— Que o seu nome seja impresso.

— Como?

— É um capricho.

— Ah!

— Enquanto não vir o seu nome em letra redonda, não quero que me peça.

— Mas isso é a coisa mais fácil…

— Não tanto como supõe. Note que não se trata da assinatura, mas do seu nome. É preciso que não seja coisa sua.

Epidauro, que assim se chamava o namorado, parecia ter compreendido. Zulmira acrescentou:

— Arranje-se!

E repetiu:

— É um capricho.

Epidauro aceitou, resignado, a singular condição, e foi para casa.

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