Um Capricho
O começo
Em Mar de Espanha havia um velho fazendeiro, viúvo que tinha uma filha muito tola, muito mal-educada, e, sobretudo. muito caprichosa. Chamava-se Zulmira.
Um bom rapaz, que era empregado no comércio da localidade, achava-a bonita, e como estivesse apaixonado por ela, não lhe descobria o menor defeito.
Perguntou-lhe uma vez se consentia que ele fosse pedi-la ao pai.
A moça exigiu dois dias para refletir.
Vencido o prazo, respondeu:
— Consinto, sob uma pequena condição.
— Qual?
— Que o seu nome seja impresso.
— Como?
— É um capricho.
— Ah!
— Enquanto não vir o seu nome em letra redonda, não quero que me peça.
— Mas isso é a coisa mais fácil…
— Não tanto como supõe. Note que não se trata da assinatura, mas do seu nome. É preciso que não seja coisa sua.
Epidauro, que assim se chamava o namorado, parecia ter compreendido. Zulmira acrescentou:
— Arranje-se!
E repetiu:
— É um capricho.
Epidauro aceitou, resignado, a singular condição, e foi para casa.
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