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Banhos de Mar

Artur de Azevedo

História4 min de leitura3 páginas

O começo

Manuel Antônio de Carvalho Santos, / Negociante dos mais acreditados, / Tinha, em sessenta e tantos, / Uma casa de secos e molhados / Na Rua do Trapiche. Toda a gente / — Gente alta e gente baixa - / O respeitava. Merecidamente:

A sua firma era dinheiro em caixa. / Rubicundo, roliço, / Era já outoniço, / Pois há muito passara dos quarenta / E caminhava já para os cinquenta. / O bom Manuel Antônio / (Que assim era chamado), / Quando do amor o deus (Deus ou demônio, / Porque como um demônio os homens tenta, / Trazendo-os num cortado) / Fê-lo gostar deveras / De uma menina que contava apenas / Dezoito primaveras, / E na candura de anjo / Causava inveja às próprias açucenas.

Tinha a menina um namorado, é certo; / Porém o pai, um madeireiro esperto, / Que no outro viu muito melhor arranjo, / Tratou de convencê-la / De que, aceitando a mão que lhe estendia / Manuel Antônio, a moça trocaria / De um vaga-lume a luz por uma estrela

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