A Romãzeira do Macaco
Adolfo Coelho (1847–?)
O começo
Era uma vez um macaco que estava em cima de uma oliveira a comer uma romã; sucedeu que caiu um grão da romã para a terra em que estava a oliveira e passado pouco tempo nasceu uma romãzeira. Quando o macaco viu a romãzeira nascida, foi-se ter com o dono da oliveira e disse-lhe:
— Arranca a tua oliveira / para crescer a minha romãzeira.
Responde o homem:
— Não estou para isso.
Foi-se o macaco ter com a justiça e disse-lhe:
— Justiça, prende o homem / para que arranque a oliveira, / para crescer a minha romãzeira.
Responde a justiça:
— Não estou para isso.
Foi-se o macaco ter com o rei e disse-lhe:
— Rei, tira a vara à justiça / para ela prender o homem, / para ele arrancar a oliveira, / para crescer a minha romãzeira.
Responde o rei:
— Não estou para isso.
Foi-se o macaco ter com a rainha e disse-lhe:
— Rainha, põe-te de mal com o rei / para ele tirar a vara à justiça, / para ela prender o homem, / para ele arrancar a oliveira, / para crescer a minha romãzeira.
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