Contos Populares Portugueses
Adolfo Coelho (1847–?)
O começo — A afilhada de Santo Antonio
Havia um pai que tinha muitos filhos a ponto de ser compadre de quase toda a gente da sua terra, pois iam ser padrinhos dos filhos dele. Nasceu-lhe mais uma filha e ele foi por um caminho fora na intenção de falar ao primeiro homem que encontrasse para padrinho da menina. Sucedeu que encontrasse um frade, que logo lhe disse que estava pronto a servi-lo. Baptisou-se a menina e o padrinho poz-lhe o nome de Antonia e disse ao compadre: — «Educa a tua filha o melhor que poderes, pois quando ela tiver treze anos virei buscá-la para a colocar bem.»
Passaram-se os treze anos e o pai vendo que o padrinho não vinha buscar a filha resolveu mandá-la servir para uma casa e ia já caminho da cidade com ela quando lhe apareceu o padrinho e lhe disse: — «A tua filha vai servir para casa do rei, mas é preciso que ela de hoje em diante se chame Antonio em vez de Antonia e troque os seus vestidos por fato de homem, pois de outra forma corre risco a sua formosura na casa do rei.» Assim se fez e Antonia foi para o serviço da rainha na qualidade de pagem. Então o padrinho disse-lhe: — «Porta-te bem sempre e quando te vires nalguma aflição diz: — Valha-me aqui o meu padrinho.»
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