Alice no País do Espelho (Trad. Lobato, 2ª Edição)
Lewis Carroll (?–1898)
O começo — Capítulo 1
DUMA COISA Alice estava certa: de que o gatinho branco nada tinha que ver com aquilo. A culpa era toda do gatinho preto. Isso porque enquanto o gatinho preto estava reinando na sala, o gatinho branco esteve nas unhas de sua mãe Diná, a sofrer uma lavagem de cara.
Diná lavava os seus filhotes assim: agarrava um deles pela orelha e o fixava com uma das patas ao chão; com a outra esfregava-lhe a cara, a começar pelo focinho. E eles se submetiam a essa toalete muito quietos, rosnando apenas, pois sabiam que a esfrega era para bem deles.
O gatinho preto havia passado a manhã na sala, solto, brincando, e ainda lá estava aos pinotes, enquanto Alice, meio adormecida em sua poltrona, falava sòzinha, com os olhos semi-abertos fixos no tapete onde jazia um novêlo de lã quase todo desenrolado.
— Olá, seu maroto! murmurou ela agarrando o gatinho pelo pescoço e beijando-o para mostrar a sua contrariedade. Depois, voltando-se para Diná, disse: — Olhe, é preciso dar melhor educação aos seus filhos, ouviu? Ainda está em tempo…
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