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O Califa da Rua do Sabão

Artur de Azevedo

Teatro24 min de leitura21 páginas

O começo — CENA I

(Só, sentado no divã, de chapéu na cabeça e com as mãos apoiadas num grande guarda-chuva.)

[CUSTÓDIO] — Não sei o que pensar de tudo isto! Ainda ontem era eu guarda-livros em casa do Senhor Natividade, à Rua da Alfândega… quando o patrão que, na véspera, chegara da Turquia, onde tinha ido buscar um bonito sortimento de artigos turcos, pôs-me no olho da rua, pelo simples fato de eu ter deixado cair do nariz no varão, um pequeno pingo de tabaco. (Erguendo-se.) O Senhor Natividade devia lembrar-lhe que há dezessete anos sou guarda-livros e é o primeiro pingo de tabaco que me cai na escrituração. Verdade seja que há apenas um mês que eu gasto. Não me quis atender o bárbaro! E disse-me com um gesto de Grão-turco: — Saia, Senhor Custódio, saia! Tomei então o meu guarda-chuva e o bonde,…

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