Livros › Artur de Azevedo › As Cerejas

Capa de As Cerejas

As Cerejas

Artur de Azevedo

Contos3 min de leitura2 páginas

O começo

— Que fazes tu aí parado? Estás a comer com os olhos aquelas magníficas cerejas?

— Estou simplesmente a namorá-las, ou antes, a resolver-me… Os cobres são tão curtos!.

— Gostas realmente de cerejas?

— Eu? Nem por isso! Prefiro qualquer outra fruta do nosso país! Mas minha mulher dá o cavaquinho por elas, e não se me dava de lhe levar aquelas, que têm boa cara.

— Pois compra-as, que diabo! Não são as cerejas que nos arruínam.

— Tens razão.

Esse ligeiro diálogo foi travado em frente ao mostrador de uma loja de frutas, na Avenida, entre o Antunes e o seu velho amigo Martiniano.

O Antunes comprou as cerejas. O Martiniano despediu-se e foi tomar o bonde.

Aquele dispunha-se a fazer o mesmo, e já estava num ponto de parada, esperando o elétrico de Vila Isabel, quando passou a Pintinha, um diabo de uma mulher que ele não podia ver sem sentir imediatamente o imperioso desejo de acompanhá-la, para reatar o fio de uma conversação agradável que se interrompia de meses a meses.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Artur de Azevedo