A Ritinha
O começo
Naquela noite o Flores entrou em casa oprimido por um sentimento penoso, que não podia definir.
Tinham-lhe dito que estava no Rio de Janeiro a Ritinha, aquela interessante menina que há trinta anos, lá na província, fora o seu primeiro amor e a sua primeira mágoa.
Andou morto por vê-la, não que lhe restasse no coração nem no espírito outra coisa senão a saudade que todos nós sentimos da infância e da adolescência, - queria vê-la por mera curiosidade.
Satisfizera o seu desejo naquela noite, quando menos o esperava, num teatro. Ela ocupava quase um camarote inteiro com a sua corpulência descomunal.
Mostrou-lha um comprovinciano e amigo:
— Não querias ver a Ritinha? Olha! Ali a tens!
— Onde?
— Naquele camarote.
— Quê! aquela velha gorda?…
— É a Ritinha!
— Virgem Nossa Senhora! - E aquele homem de óculos azuis, que está de pé, no fundo do camarote? É o marido!
— Qual marido! É o genro, casado com a filha, aquela outra senhora muito magra que está ao lado dela. O marido é o velhote que está quase escondido por trás do enorme corpanzil da tua ex-namorada.
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