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São João

Paulo Setúbal (?–1937)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

É noite… O santo famoso, / O doce, o meigo São João, / Tivera um dia glorioso, / Dia de festa e de gozo, / Que encheu de estrondo o sertão.

Já cedo, em meio aos clamores, / Aos vivas do poviléu, / Lindo, enramado de flores, / Um mastro de quentes cores, / Subira em triunfo ao céu!

E agora, enquanto, alva e lesta, / Palpita a lua hibernal, / Na fazenda, toda festa, / Referve a alegria honesta / Da noite tradicional.

Dentro, com grande aparato. / Brilha, enfeitado, o salão: / Que há, nessa festa do mato, / Pessoas de fino trato, / Chegadas para o São João…

Destaca-se entre essa gente / A flor do mundo local: / O padre, o juiz, o intendente, / — O próprio doutor Vicente / Que é deputado estadual!

Ante o auditório pasmado, / Que, num enlevo, sorri, / A Isabelinha Machado / Batuta, sobre o teclado, / Uns trechos do Guarani…

Tudo o que toca e assassina, / Recebe imensa ovação; / Todos, quando ela termina, / Põem-se a exclamar: "Que menina! / Dá gosto! Que vocação!"

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