Nhá Carola
Paulo Setúbal (?–1937)
O começo
Eia!… O meu baio caminha / Por entre nuvens de pó: / Vou ver a boa vizinha, / Essa adorada velhinha / Que eu quero como uma avó.
Nasceu aqui, e aqui mora, / Neste retiro de paz. / Ah! É uma santa senhora / Que inda me quer, que inda me adora, / Como há vinte anos atrás.
E hoje, que o dia se engala / De tanta luz, tanta cor, / Vim, nhá Carola, abraçá-la, / Ouvir de novo essa fala, / Sentir de novo esse amor!
A casa, tosca e singela, / Já eu avisto daqui: / E a dona amiga, à janela, / Que fundo anseio revela / Por me apertar junto a si!
Por isso, quente e festiva, / Ao ver-me entrar o portal, / Ela, a velhinha afetiva, / Mostrando rubra a gengiva, / — Ri-se num riso jovial!
Salta-me Ioga ao pescoço. / E abraça! E ri! que aranzel! / E nesse ingênuo alvoroço, / Nem olha que eu já sou moço, / Nem vê que eu sou bacharel…
Céus!… É a mesma nhá Carola, / Que, enrugada como está, / No tempo que eu ia à escola, / Enchia a minha sacola / De broinhas de fubá.
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