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Noites de Insônia, Oferecidas a Quem Não Pode Dormir. Nº 10 (de 12)

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

RomanceCrítica literária1 h 30 de leitura75 páginas

O começo — I

Era o nome da encantadora bastarda do capitão-mór da Lixa.

Vivia, com sua mãe, na quinta de Vilalva, com que fora dotada, aos quinze anos, para casar, aos dezoito, com o morgado de Pildre, Vasco Pinto de Magalhães.

Isto são cousas antigas. Era no ano de 1834. Há quarenta anos. Um século doutras eras, quando vinte anos eram mocidade inocente, e, aos quarenta, o homem tenteava com tímido pé os umbrais do mundo. Agora, dentro de quarenta anos, fenecem e reverdecem duas mocidades e duas velhices; o revolutear das variadas paixões, gastando a alma e safando o cérebro, desmemoría o homem de si mesmo; em cada decada atrophia-se-lhe o coração com as velhas imagens, e resurgem-lhe, com as imagens novas, outras faculdades afetivas. Quarenta anos! Eu, quando me 6 lembro que vi Pedro IV, e por pouco não fui contemporâneo de João VI, entro em duvidas se conheci o marquês de Pombal, e receio que me peçam noticias…

Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.

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