O Estorvo
O começo
Muito, mas muito, contente sempre de si e consigo mesmo o Amaro Esteves, sobretudo agora que ganhára, por bamburrio, não pouco dinheiro no encilhamento. Por cima, o prêmio integral de cem contos de reis na loteria da Bahia.
Sim senhor, graças aos inesperados e meigos sorrisos da sorte, se tornara, nada mais, nada menos, um capitalista importante.
E rapaz ainda, bonitasso, na casa dos 35, atirado às mulheres, gostando de roupagens claras, gravatas vermelhas com alfinetes de grande brilhante, pilherico, metido a contar anedotas engraçadas, picarescas.
A massada era a Nicóta, a mulher, tão franzina, desengonçada, chôchinha, sem carnes, sempre retrahida, muito acaipirada, cousa demais. Também fora aquele casamento uma bobagem, estopada de marca maior.
Mocinho, numa festa de roça, tolamente se embeiçára por ela, então rapariga sem graça nenhuma, e, quando dera acordo de si, záz , traz, nó cego , estava casado, amarrado para todo o sempre pelo conjungo de um vigário de aldeia. Que espiga!
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