Uma Vingança
O começo — I
Num baile – já pouca gente; muitas cadeiras vazias.
Ela, sentada, um tanto abatida, identificada com o enfado e a fadiga de uma festa a acabar, a ouvir como por favor e com ar de sensível amúo e impaciente condescendência um homem no vigor dos anos a falar, ardente, arrebatado, numa grande agitação, sombrio, desconfiado, mas sóbrio nos gestos a conter-se calculadamente – ambos longe, bem longe daquele ambiente de alegrias e despreocupação, hostis um com o outro.
— Precisava, observava ele, explicar-me com toda a liberdade. Desde que cheguei do Rio da Prata, não achei uma única ocasião. Verdade é que a senhora tem feito estudo especial para não me consentir o menor ensejo. Isto não pode continuar assim; prefiro então romper de uma boa vez. Declaremo-nos logo inimigos irreconciliáveis.
— Pois fale; diga o que tem, o que de mim deseja.
— Aqui? Agora?
— Por que não? Onde quereria que fosse?
Esboçou Sofia Dias um movimento de displicencia e incredulidade.
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