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Ciganinha

Visconde de Taunay

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O começo — I

Chamavam-lhe Ciganinha, e a principio também Magriça.

Exasperava-a, porém, este apelido. Quando o ouvia “ó, magriça!”voltava-se rápida, furiosa, com os olhos a chamejar, e torcia a cara toda nuns esgares muito feios de bruxa velha, botando para fora uma língua de palmo, fina, comprida, serpentina. Soltava até grossas palavradas.

Com a outra alcunha não se importava. Erguia os ombros num gesto de expressivo pouco caso e concordava resmungando:

— Se sou mesma!

Por lei fatídica dos contrates, havia recebido na pia baptismal o nome, que nunca devêra confirmar, de Angelica – daí Gêgéca ou Gégéca, como costumava dizer a mãe, abrindo os ee de modo especial e descansado, e acrescentando sempre com languido suspiro de pesar:

— Um diabrete , esta menina.

Desde bem pequena, mostrara com efeito, índole muito independente, gênio violento, amigo de fazer as suas quatro vontades, audaz, altivo e arrebatado, de par com muitos caídos e engraçadas momices e caricias com quem lhe caía no gôto, ou permanentemente ou em horas de caprichoso bom humor.

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