Noites de Insônia, Oferecidas a Quem Não Pode Dormir. Nº 09 (de 12)
Camilo Castelo Branco (1825–1890)
O começo — AO LEITOR
La pensée est pouvoir. / Tout pouvoir est devoir.
VICTOR HUGO.
Este livro tem uma missão, e tem um fim.
Escrito para o povo, a sua missão é levar a luz às últimas camadas sociais. Difundi-la no tugurio do operário, e na choupana humilde do aldeão.
Inspirado nas mais sinceras crenças da democracia, aceita, como fim, arrancar às garras desse imenso desalento e dessa torpe corrupção—que por aí vai gangrenando as sociedades—os generosos espíritos populares, para que as almas se não gelem, e os corações—que vivem de nobres aspirações—se não atrophiem, neste completo desmoronamento de todas as instituições existentes.
O autor deste livro não tem pretensões, nem vaidades, nem receios. Não se julga apóstolo, nem profeta, nem vidente. O mais obscuro dos obreiros deste século—como é, e quer ser—escuta, atento, o ruido que vai lá fora, nos países onde a ideia tem um culto, onde as crenças consubstanciam religiões, onde 8 as sociedades se debatem na agonia de organizações politicas, sociais e religiosas, que tendem a desaparecer; e pelo fato de existir, e de se considerar obrigado às lutas da existência, giza o terreno em que combate, sem orgulho, sem ódios, e sem rancores pessoais.
Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.