Livros › Artur de Azevedo › A Moça Mais Bonita do Rio de Janeiro

Capa de A Moça Mais Bonita do Rio de Janeiro

A Moça Mais Bonita do Rio de Janeiro

Artur de Azevedo

Contos37 min de leitura33 páginas

O começo — I

Era em 1875. Numa pequena casa do Engenho Novo habitava, em companhia dos pais, a moça mais bonita do Rio de Janeiro. Como houvesse nascido a 2 de maio, recebera na pia batismal, por simples indicação da folhinha, o nome de Mafalda; entretanto, ninguém a conhecia por esse nome, pois desde o berço começaram todos de casa a chamar-lhe Fadinha, corruptela e diminutivo de Mafalda. E bem lhe assentavam aquelas três sílabas, porque a moça, aos dezoito anos, possuía todos os encantos que têm, ou devem ter, as fadas, e na sua beleza extraordinária havia, realmente, qualquer coisa de sobrenatural e fantástico.

Morena, desse moreno fluido que só Murillo encontrou na sua maravilhosa paleta, de olhos negros e úmidos, narinas dilatadas, lábios grossos mas graciosamente contornados, abrindo-se, de vez em quando, para mostrar os mais belos dentes, cabelos negros como os olhos, abundantes, ligeiramente ondeados, apanhados sempre com um desalinho estético, deixando ver duas orelhas de um desenho tão impecável, que fora crime cobri-las - e todas essas partes completando-se umas às outras no oval harmonioso do rosto, Fadinha, por unânime deliberação do júri mais rigoroso, ganharia com toda a certeza o primeiro prêmio, se naquela época se lembrassem de abrir no Rio de Janeiro um concurso de beleza feminina.…

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Artur de Azevedo