Dona Eulália
O começo
Quando cheguei, a casa mortuária estava cheia de gente.
No centro da sala, forrada de preto, havia uma essa entre quatro enormes tochas acesas, e sobre a essa um caixão, dentro do qual D. Eulália dormia o último sono.
Já tinha passado a hora do saimento.
Faltava apenas o padre.
O padre não aparecia.
O viúvo, comovido, mas calmo, perfeitamente calmo, perguntou a um parente, que pelos modos tinha se encarregado do enterro:
— Então?... esse padre?..
— Já cá devia estar. O Tio Eusébio quer que eu vá buscá-lo?
— É favor, Casuza.
E o parente saiu muito apressado.
Dez minutos depois, o Ensébio aproximou-se de mim e disse-me baixinho:
— E nada de padre! Estava escrito que este dia não passava para mim sem alguma contrariedade…
Justifiquemos esse grito do coração.
O Eusébio não foi um marido feliz; D. Eulália, que tinha muito mau gênio, transformara-lhe a vida num verdadeiro inferno.
O pobre homem não tinha voz ativa dentro de casa; era repreendido como um fâmulo quando entrava mais tarde; devia dar contas de um níquel, de um miserável níquel que lhe desaparecesse do bolso!
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