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Último Castelo

Raul Pompeia (?–1895)

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O começo

Álvaro, o grande Álvaro devia realmente sucumbir, esmagado sob as ruínas dalguma das soberbas construções levantadas à força de imaginação, em meio da noute dos seus sonhos.

Passava através da vida, absorto em concepções estranhas, olhar vago, observando sempre uma aparição espantosa, que ninguém via e que, para o sonhador, brotava do chão, viva, colorida, vibrante; e voava-lhe em torno, às vezes como um bando de pombas risonhas e festivas, às vezes como tristes pterodátilos infernais de pesado voo e vastas asas negras! Com a variedade das aparições, variava igualmente a expressão do semblante do poeta, ora doce sorriso inexplicável de louco satisfeito, ora profundo pavor de visionário em êxtase de contemplações horrendas…

Pobre Álvaro!

A rua do Ouvidor conhecia bem os esgares extravagantes, os bracejamentos exagerados, espécie de caricatura violenta e inimitável de alta tragédia, que o saudoso Álvaro desempenhava febricitante em qualquer esquina, ao correr da palestra, como um desalmado, tomando os assuntos pelos cabelos, apunhalando-os no ar, com a fúria de uma eloquência sanguinária, funambulesca, apoplética e atirando-os afinal, remoídos exangues, aos pés dos ouvintes, horrorizados e deslumbrados.

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