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As Festas de Reis de Minha Prima

Raul Pompeia (?–1895)

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O começo

Conheci muito o dr. Sinfrônio.

Nunca lhe achei cara de poeta… Pois ele o fora!

Uma única vez na vida, às escondidas, como se tivesse vergonha… Mas fora… Vim a sabê-lo, alguns anos depois da sua morte.

Não quero dizer que este póstumo achado lhe valha a glória. Poeta, é modo de escrever. São umas linhas execráveis, sem metrificação nem graça, em que bela rima à toa com janela ou com singela, como no "Era no outono…" de B.Pato…

São versos de paixão, espécie de carta de namoro a linhas curtas, começadas em letra maiúscula.

Mostrou-mos o filho, um velho amigo de colégio que me ficou da infância; mostrou-mos, fazendo considerações a propósito de certas ingenuidades que todos têm e certas fraquezas em que todos caem. Aquele homem prático, prosaico, impregnado de negócios do foro e alguma política rasteira, empírica de mais, sem horizontes largos, aquele burguês redondo tivera um dia de pieguice aguda na sua vida! Lá estava o corpo de delito, descoberto em meio duma aluvião de rascunhos de correspondências, contas, recibos, papelório forense, traças e poeira.

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