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As Joias da Coroa

Raul Pompeia (?–1895)

Romance2 h de leitura113 páginas

O começo — I

— Ah, ah! Ah, ah!… É o que você pensa. Ninguém se arroja a uma empresa destas, sem saber o terreno em que vai pisar. Eu sou um jogador que sempre conhece as cartas de que dispõe e as do seu adversário… É o que faltava… Um homem habituado às dificuldades de todas as empresas espinhosas…

— É exato, o senhor tem dado provas do que é capaz… aquele escandalozinho da rua… que se abafou tão bem, aquela caçada da Milica… Sem a sua habilidade as coisas não iriam tão macias, mas…

— Mas… quê?! Pois você quer pôr em dúvida a minha confiança?! Garanto-lhe que o negócio não trará compromisso a ninguém… Você já tem cinco anos de serviço, tem garantias… Cá para mim, provoco os céus e a terra a virem estremecer a minha influência neste paraíso de bambus…

— É exato, ele precisa do senhor… quem ficará mal hei de ser eu. Se vou para a rua sem mais nem menos…

— Se é este o seu receio, eu o tranquilizo… Assino, se você quiser, um papel de dívida, comprometendo-me a dar a mesma recompensa, seja qual for o resultado no negócio… Ora, imagine que nos venha daí um bolo de 600 contos… Dar-lhe-ia boa porção. Todos lucraremos maravilhosamente… Se não conseguirmos nada, ainda assim você estará perfeitamente, porque, se a coisa for impossível, não ficarão vestígios da tentativa, e, se formos surpreendidos… Não! Não seremos! O êxito é certo… As joias do duque estão depositadas numa sala grande do lance esquerdo do palácio, num armário envidraçado. Se você continua teimando em não querer…

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