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Amor de Perdição: Memórias d'uma Família

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Escrito em quinze dias, na cadeia, por um homem preso pelo mesmo motivo que condena o personagem.

Romance3 h 40 de leitura193 páginas

Por que ler

Camilo Castelo Branco escreveu este romance em 1861 na Cadeia da Relação do Porto, onde estava preso por adultério. Simão e Teresa amam contra as famílias e perdem. É o livro mais lido do romantismo português, e o mais rápido de todos eles.

Para observar

A prosa é curta, seca e apressada. Não é falta de capricho: é um homem escrevendo contra o relógio, e dá para ouvir.

O começo — I.

Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Menezes, fidalgo de linhagem, e um dos mais antigos solarengos de Villa Real de Traz-os-Montes, era, em 1779, juiz de fora de Cascaes, e nesse mesmo ano casara com uma dama do paço, D. Rita Teresa Margarida Preciosa da Veiga Caldeirão Castello-Branco, filha de um capitão de cavalos, e neta de outro, Antonio de Azevedo Castello-Branco Pereira da Silva, tão notável por sua jerarquia, como por um, naquele tempo, precioso livro acerca da Arte da Guerra.

Dez anos de enamorado mal sucedido consumira em Lisboa o bacharel provinciano. Para se fazer amar da formosa dama de D. Maria I minguavam-lhe dotes físicos: Domingos Botelho era extremamente feio. Para se inculcar como partido conveniente a uma filha segunda, faltavam-lhe bens de fortuna: os haveres dele não excediam a trinta mil cruzados em propriedades no Douro. Os dotes de espirito não o recommendavam também: era alcançadissimo de inteligência, e grangeara entre os seus condiscípulos da universidade o epíteto de «brocas» com que ainda hoje os seus descendentes em Villa Real são conhecidos. Bem ou mal derivado, o epíteto brocas vem de brôa . Entenderam os acadêmicos que a rudeza do seu…

Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.

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