Uma Embaixada
O começo
Minervino ouviu um toque de campainha, levantou-se do canapé, atirou para o lado o livro que estava lendo, e foi abrir a porta ao seu amigo Salema.
— Entra. Estava ansioso.
— Vim, mal recebi o teu bilhete. Que deseja de mim?
— Um grande serviço!
— Oh, diabo! Trata-se de algum duelo?
— Trata-se simplesmente de amor. Senta-te. Sentaram-se ambos.
Eram dois rapagões de vinte e cinco anos, oficiais da mesma Secretaria do Estado; dois colegas, dois companheiros, dois amigos, entre os quais nunca houvera a menor divergência de opinião ou sentimentos. Estimavam-se muito, estimavam-se deveras.
— Mandei-te chamar - continuou Minervino - porque aqui podemos falar mais à vontade; lá em tua casa seríamos interrompidos por teus sobrinhos. Ter-me-ia guardado para amanhã, na Secretaria, se não se tratasse de uma coisa inadiável. Há de ser hoje por força!
— Estou às tuas ordens.
Bom. Lembras-te de um dia ter te falado de uma viúva bonita, minha vizinha, por quem andava muito apaixonado?
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