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Duas Apostas

Artur de Azevedo

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O começo

Quando apareceu o primeiro número do Século, o Comendador Salazar, que encontrou um exemplar em casa, tomou-o entre as mãos, percorreu-o rapidamente com os olhos e disse, com aquele ar impertinente e desdenhoso que faz dele, benza-o Deus, um dos negociantes mais antipáticos da nossa praça:

— Isto não tem vida para um mês!

— Por que, papai? - perguntou a senhorita Esmeralda.

— Porque não tem. É um jornaleco que não me inspira a menor confiança.

A moça, que gostava de contrariar o autor dos seus dias, redargüiu logo:

— Pois eu estou convencida de que este jornal tem vida para muito tempo!

— Por que, minha filha?

— Porque tem.

— Veremos.

Havia oito dias que Esmeralda tinha sido pedida em casamento pelo Sousinha, e o Comendador Salazar respondera que era muito cedo: a filha não tinha ainda completado 17 anos, e o pretendente acabava apenas de atingir a maioridade.

— É muito cedo para pensarem em casamento! - sentenciara ele.

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