Às Escuras
O começo
Havia baile naquela noite em casa do Cachapão, o famoso mestre de dança, que alugara um belo sobrado na Rua Formosa, onde todos os meses oferecia uma partida aos seus discípulos, sob condição de entrar cada um com dez mil-réis.
D. Maricota e sua sobrinha, a Alice, eram infalíveis nesses bailes do Cachapão.
D. Maricota era a velha mais ridícula daquela cidadezinha da província; muito asneirona, mas metida a literata, sexagenária, mas pintando os cabelos a cosmético preto, e dizendo a toda a gente contar apenas trinta e cinco primaveras - feia de meter medo e tendo-se em conta de bonita, era D. Maricota o divertimento da rapaziada.
Em compensação, a sobrinha, a Alice, era linda como os amores e muito mais criteriosa que a tia.
O Lírio, moço da moda, que fazia sempre um extraordinário sucesso nos bailes de Cachapão, namorava a Alice, e no baile anterior lhe havia pedido… um beijo.
— Um beijo?! Você está doido, seu Lírio?! Onde? Como? Quando?
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