As Asneiras do Guedes
O começo
Não é precisamente um conto o que hoje vou escrever.
Voltou do seu passeio a São Paulo o Guedes - o Guedes sabem? - o maior asneirão que o sol cobre, aquele mesmo que respondeu aqui há tempos quando numa roda lhe perguntaram se tinha filhos:
— Tenho uma filha já adúltera.
— Adúltera?!
— Sim, senhor, adúltera; vai fazer 17 anos.
— Adulta quer o senhor dizer…
— Ou isso. E uma boa menina; só tem um defeito: é muito luxuriosa.
— Luxuriosa?!
— Sim, senhor, luxuriosa: gosta muito de luxar.
— Ah!
— Mas lá está minha mulher para lhe dar bons conselhos… sim, porque minha mulher é muito sensual.
— Sensual?!
— Sim, senhor, sensual: tem muito bom senso.
Pois é como lhes digo: tive o prazer de encontrar ontem esse precioso Guedes, cujas asneiras, colecionadas, dariam um volume de trezentas páginas, ou mais.
Eu estava num armarinho da rua do Ouvidor, onde entrava para cumprimentar a minha espirituosa amiga D. Henriqueta, que andava, como sempre, fazendo compras, enchendo-se de caixinhas e pequeninos embrulhos, adquiridos aqui e ali:
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