Um Desastre
O começo
Meteu-se em cabeça do pobre Raposo que havia de ser o marido da senhorita Ernestina Soares, e verdade, verdade, ele tinha por si os pais da moça, que o sabiam possuidor de um bom número de prédios e apólices e viam na sua pessoa o ideal dos genros.
A senhorita não era da mesma opinião, em primeiro lugar porque gostava muito do primo Enéias, que não tinha apólices nem prédios, mas era um bonito rapaz e um mimoso poeta e, em segundo lugar, porque o Raposo, coitado!, pesava nada menos de cento e vinte quilogramas, isto é, tinha uma pança que o incompatibilizava absolutamente com um ideal de moça.
O Soares - honra lhe seja! - não era homem que obrigasse a filha a casar-se contra a vontade; entretanto, procurou convencê-la de que a corpulência do Raposo não era um pecado nem um delito, nem uma vergonha, e melhor vida teria ela em companhia dele que na do primo Enéias, um troca-tintas que não valia dois caracóis.
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