Amor por Anexins
O começo — CENA I
INÊS (Cose sentada à mesa, e olha para a rua, pela janela.) — Lá está parado à esquina o homem dos anexins! Não há meio de ver-me livre de semelhante cáustico! Ora, eu, uma viúva, e, de mais a mais com promessa de casamento, havia de aceitar para marido aquele velho! Não vê! E ninguém o tira dali! Isto até dá que falar à vizinhança… (Desce à boca de cena.)
Copla
Eu que, por gosto, perdido / Tenho casamentos mil, / Com mais de um belo marido, / Garboso, rico e gentil, / De um velho agora a proposta, / Meu Deus! devia aceitar? / Demais um velho que gosta / De assim tão jarreta andar! / Nada! nada! / Não me agrada! / Quero um marido melhor! / É bem mau não ser casada, / Mas malcasada é pior.
Ainda hoje escreveu-me uma cartinha, a terceira em que me fala de amor, e a segunda em que me pede em casamento. (Tira uma carta da algibeira.) Ela aqui está. (Lê.) “Minha bela senhora. Estimo que estas duas regras vão encontrá-la no gozo da mais perfeita saúde. Eu vou indo como Deus é servido. Antes assim que amortalhado. Venho pedi-la em casamento pela segunda vez. Ruim é quem em ruim conta se tem, e eu não me tenho nessa conta. Jamais senti por outra o que sinto pela senhora; mas uma vez é a primeira.” (Declamando.) Que enfiada de anexins! Pois é o mesmo homem a falar! (Continua a ler.) “Tenho uns cobres a render; são poucos, é verdade, mas de hora em hora Deus melhora, e mais tem Deus…
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