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O Chapéu

Artur de Azevedo

História4 min de leitura3 páginas

O começo

O Ponciano, rapagão bonito, / Guarda-livros de muita habilidade, / Possuindo o invejável requisito / De uma caligrafia / A mais bela, talvez, que na cidade / E no comércio havia, / Empregou-se na casa importadora / De Praxedes, Couceiro & Companhia, / Casa de todo Maranhão credora, / Que, além de importadora, era importante, / E, se quebrasse um dia, / Muitas outras consigo arrastaria.

Do comércio figura dominante, / Praxedes, sócio principal da casa, / Tinha uma filha muito interessante. / O guarda-livros arrastava-lhe a asa.

Começara o romance, o romancete / Num dia em que fez anos / E os festejou Praxedes co'um banquete, / Num belo sítio do Caminho Grande, / Sob os frondosos galhos veteranos

Que secular mangueira inda hoje expande. / A mesa circular, sem cabeceira, / Rodeando o grosso tronco da mangueira, / Um belíssimo aspecto apresentava: / Reluzindo lá estava / O leitão infalível, / Com o seu sorriso irônico, / Expressivo, sardônico. / Sabeis de alguma coisa mais terrível / Do que o sorriso do leitão assado? / E nos olhos, coitado! / Lhe havia o cozinheiro colocado / Duas rodelas de limão, pilhéria / Que sempre faz sorrir a gente séria. / Dois soberbos perus de forno; tortas / De camarão, e um grande e majestoso / Camorim branco, peixe delicioso, / Que abre ao glutão do paraíso as portas; / Tainhas ouríchocas recheadas, / Magníficas pescadas, / E um presunto, um colosso, /…

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