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Cântico do Calvário

Fagundes Varela (?–1875)

Poesia5 min de leitura5 páginas

O começo

Eras na vida a pomba predileta / Que sobre um mar de angústias conduzia / 0 ramo da esperança. — Eras a estrela / Que entre as névoas do inverno scintillava / Apontando o caminho ao pegureiro. / Eras a messe de um dourado estio.

Eras o idílio de um amor sublime. / Eras a gloria, — a inspiração, — a pátria, / O porvir de teu pai! — Ah! no entanto, / Pomba, — varou-te a flecha do destino! / Astro, — engulio-te o temporal do norte! / Tecto, cahiste! — Crença, já não vives!

Correi, correi, oh! lagrimas saudosas, / Legado acerbo da ventura extinta, / Dubios archotes que a tremer clarêão / A lousa fria de um sonhar que é morto! / Correi! Um dia vos verei mais belas / Que os diamantes de Ophir e de Golgonda / Fulgurar na corôa de martírios / Que me circumda a fronte scismadora! / São mortos para mim da noite os fachos, / Mas Deos vos faz brilhar, lagrimas santas, / E à vossa luz caminharei nos ermos! / Estrellas do sofrer, — gotas de mágoa, / Brando orvalho do céu! — Sede bemditas! / Oh! filho de minh’alma! Ultima rosa

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