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O Vinho do Porto: Processo de uma Bestialidade Inglesa Exposição a Thomaz Ribeiro

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

Crônica e ensaioHumor51 min de leitura45 páginas

O começo

Como sei que o teu amor às perfidas trêtas e manhas da Inglaterra não é dos mais acrizolados, venho oferecer ao teu sorriso um specimen de bestialidade inglesa.

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Há trinta e cinco anos que um bretão anônimo lavrou na Westminster Review a condenação do vinho do Porto como deleterio e empeçonhado por acetato de chumbo e outros toxicos anglicidas. O homem, pelas rábidas violências do estilo, parece ter redigido a calúnia depois de jantar, numa exaltação capitosa do tannino do alvarilhão que ele confundiu com as aflições dos venenos metálicos. Relembra lamentosamente, com a lágrima das [8] bebedeiras ternas, o século dezoito, em que o genuíno licor do Porto era um repuxo de vida que irrigára a preciosa existência de grandes personagens da Gran-Bretanha. Recorda Pitt e Dundas, Sheridan e Fox, famigerados absorventes do nosso vinho. Diz que Lord Eldon e…

Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.

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