Livros › Artur de Azevedo › In Extremis (Artur de Azevedo)

Capa de In Extremis (Artur de Azevedo)

In Extremis (Artur de Azevedo)

Artur de Azevedo

História6 min de leitura5 páginas

O começo

O Major Brígido era viúvo e tinha uma filha de vinte anos. lindíssima, que fazia muita cabeça andar à roda; entretanto, o coração da rapariga, quando "falou" (assim se dizia antes), falou mal. Quero dizer que Gilberta - era este o seu nome - se enfeitiçou justamente pelo mais insignificante de quantos a requestavam - pelo Teobaldo Nogueira, sujeito que vivia, pode-se dizer, de expedientes, sem retida certa que lhe desse o direito de constituir família, mendigando aqui e acolá, no comércio, pequenas comissões, corretagens, e lambugens adventícias.

O Major Brígido, cheio de senso prático, vendo com maus olhos essa inclinação desacertada da filha, abriu-se com o seu melhor amigo, o Viegas que, apesar de ter uns dez anos menos que ele, era o seu consultor, o seu conselheiro, o oráculo reservado para as grandes emergências da vida.

— Deixe-a! opinou o Viegas. Se você a contraria, aquilo fica de pedra e cal! O melhor era fazer ver a Gilberta por meios indiretos, que a sua escolha poderia ser melhor… Não ataque de frente a questão!… Não bata com o pé… não invoque a sua autoridade de pai…

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Artur de Azevedo