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O Dote

Artur de Azevedo

Teatro1 h de leitura56 páginas

O começo — I

Gabinete de trabalho de Ângelo, estantes com livros, secretária atapetada de papéis, porta ao fundo, porta à direita, é dia.

ÂNGELO, depois PAI JOÃO

(ÂNGELO trabalha sentado à secretária. Depois de alguns momen­tos, Pai João, preto-mina nonagenário, entra pelo fundo.)

PAI JOÃO — Sió moço doutlô!

ÂNGELO (Sem levantar os olhos do trabalho.) — Que é, Pai João?

PAI JOÃO — Tá aí zoalelo da rua de Ouvidlô..

ÂNGELO — O joalheiro? Eram favas contadas! Manda-o entrar.

PAI JOÃO (Indo ao fundo e falando para fora.) — Faze favló. (Entra Esposende, Pai João sai.)

ÂNGELO, ESPOSENDE

ESPOSENDE — Senhor doutor…

ÂNGELO — Boa - tarde, senhor Esposende. Queira sentar-se. (Indica-lhe uma cadeira, perto da secretária.)

ESPOSENDE — Estou bem, doutor.

ÂNGELO — Obriga-me a levantar-me. Sente-se. Aí tem cadeira.

ESPOSENDE — Obrigado. (Senta-se.)

ÂNGELO — Já sei o que o traz. Minha mulher esteve no seu estabelecimento, escolheu uma joia, e mandou a conta para que eu a pagasse.

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