O Dote
O começo — I
Gabinete de trabalho de Ângelo, estantes com livros, secretária atapetada de papéis, porta ao fundo, porta à direita, é dia.
ÂNGELO, depois PAI JOÃO
(ÂNGELO trabalha sentado à secretária. Depois de alguns momentos, Pai João, preto-mina nonagenário, entra pelo fundo.)
PAI JOÃO — Sió moço doutlô!
ÂNGELO (Sem levantar os olhos do trabalho.) — Que é, Pai João?
PAI JOÃO — Tá aí zoalelo da rua de Ouvidlô..
ÂNGELO — O joalheiro? Eram favas contadas! Manda-o entrar.
PAI JOÃO (Indo ao fundo e falando para fora.) — Faze favló. (Entra Esposende, Pai João sai.)
ÂNGELO, ESPOSENDE
ESPOSENDE — Senhor doutor…
ÂNGELO — Boa - tarde, senhor Esposende. Queira sentar-se. (Indica-lhe uma cadeira, perto da secretária.)
ESPOSENDE — Estou bem, doutor.
ÂNGELO — Obriga-me a levantar-me. Sente-se. Aí tem cadeira.
ESPOSENDE — Obrigado. (Senta-se.)
ÂNGELO — Já sei o que o traz. Minha mulher esteve no seu estabelecimento, escolheu uma joia, e mandou a conta para que eu a pagasse.
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