Morta que Mata
O começo
Um dia em que o Barreto, acabado o expediente, palestrava com alguns dos seus colegas de repartição, queixou-se da mesquinhez dos ordenados.
— Ora! Tu nada sofres! Acudiu um dos colegas, com um sorriso impertinente.
— Nada sofro?! Ora esta! Por quê?!.
— Porque és rico!
— Rico, eu?!…
— Naturalmente. Se não fosses rico, tua mulher não poderia andar coberta de brilhantes!
O Barreto soltou uma gargalhada.
— Ah, meu amigo, os brilhantes de minha mulher são falsos, são baratinhos, não valem nada!
— Não parece.
— Não parece, mas são. Minha mulher é de uma economia feroz, e tudo quanto economiza emprega em toilettes e joias… mas que joias!… Falsas, falsas como Judas… Já lhe tenho dito um milhão de vezes que se deixe disso; que não use joias uma vez que não pode usá-las verdadeiras; que ela somente a si mesma se ilude, tornando-se ridícula aos olhos do mundo; mas não há meio: aquilo é mania! Tirem tudo, tudo à Francina, mas deixem-lhe as suas joias de pechisbeque!…
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