
O Escravocrata
O começo — I
Escritório em uma casa de alugar escravos. À esquerda, secretária; à direita, sofá sobre o qual está um número do Jornal do Commércio; cadeiras. Porta ao fundo, à esquerda. Encostadas à parede do fundo, à esquerda, uma trouxa e uma esteira suja enroladas.
SALAZAR, depois UM CAIXEIRO. SALAZAR escreve por algum tempo, sentado à secretária; toca o tímpano; entra o caixeiro.
O CAIXEIRO (Da esquerda alta.) - Pronto!
SALAZAR - Levou os negros à Polícia?
O CAIXEIRO - Sim, senhor; já estão de volta.
SALAZAR - Bem. Seguem para cima, amanhã, no expresso das quatro horas e meia. Às três em ponto, o senhor deverá estar de pé, a fim de poder achar-se na Estação às quatro. São quarenta e quatro cabeças, incluindo o Lourenço. Tome lá. Vá à minha casa e entregue este bilhete a minha mulher. Ela deve entregar-lhe o Lourenço, e o senhor o reunirá ao lote de escravos que vai embarcar. (Levantando-se, passa à direita.) Resolvi desfazer-me daquele tratante, haja o que houver, e nada me demoverá deste propósito. Pode ir. (O Caixeiro sai pelo fundo.)
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