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Sabina (Artur de Azevedo)

Artur de Azevedo

História9 min de leitura8 páginas

O começo

Havia três anos que o Bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. E marido seria se ela quisesse; mas Sabina - Sabina era o seu nome - dera-se mal com o casamento, e não queria experimentá-lo de novo.

Um mês depois do seu primeiro encontro com o Bacharel Figueiredo, este dizia-lhe:

— Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu livre és: case-mo-nos!

— Não! respondia ela, não! não! não!…

— Por quê, meu amor?

— Porque esse fogo, esse ímpeto, esse entusiasmo que te lançou nos meus braços, tudo isso desapareceria desde que eu fosse tua mulher!

— Mas a sociedade…

— Ora a sociedade! Sou bastante independente para me não importar com ela.

— Tua filhinha…

— Tem apenas quatro anos! está na idade em que se olha sem ver. Demais, não quero dar-lhe um padrasto. Amemo-nos, e deixemos em paz o padre e o pretor.

II

Ficaram efetivamente em paz o ministro de Deus e o representante da lei, mas nem por isso o bacharel deixou de enfarar-se ao cabo de dois anos, agradecendo aos céus o haver a viúva recusado o casamento que ele lhe propusera num momento de verdadeira alucinação.

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