Sabina (Artur de Azevedo)
O começo
Havia três anos que o Bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. E marido seria se ela quisesse; mas Sabina - Sabina era o seu nome - dera-se mal com o casamento, e não queria experimentá-lo de novo.
Um mês depois do seu primeiro encontro com o Bacharel Figueiredo, este dizia-lhe:
— Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu livre és: case-mo-nos!
— Não! respondia ela, não! não! não!…
— Por quê, meu amor?
— Porque esse fogo, esse ímpeto, esse entusiasmo que te lançou nos meus braços, tudo isso desapareceria desde que eu fosse tua mulher!
— Mas a sociedade…
— Ora a sociedade! Sou bastante independente para me não importar com ela.
— Tua filhinha…
— Tem apenas quatro anos! está na idade em que se olha sem ver. Demais, não quero dar-lhe um padrasto. Amemo-nos, e deixemos em paz o padre e o pretor.
II
Ficaram efetivamente em paz o ministro de Deus e o representante da lei, mas nem por isso o bacharel deixou de enfarar-se ao cabo de dois anos, agradecendo aos céus o haver a viúva recusado o casamento que ele lhe propusera num momento de verdadeira alucinação.
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